ALERTA NO CANTAREIRA: Nível de água recua em abril e acende o sinal amarelo para a Grande São Paulo.

Após pico recorde em março, sistema entra precocemente em fase de declínio; especialistas explicam se o fantasma do racionamento voltou a assombrar 2026.

Centro Histórico da Cidade de SP.

O ciclo das águas na Grande São Paulo acaba de entrar em uma fase delicada. Após um mês de março marcado por chuvas volumosas, que levaram o Sistema Cantareira ao seu nível mais alto do ano, os dados de abril de 2026 trazem uma realidade menos confortável: o manancial começou a registrar quedas consecutivas em seu volume armazenado. Para os mais de 7 milhões de paulistanos que dependem diretamente desse sistema, a pergunta é inevitável: vamos ficar sem água?

A queda ocorre justamente no início da chamada “estação seca” (maio a setembro), mas a velocidade do recuo neste ano chamou a atenção dos técnicos da Sabesp e do Comitê de Bacias. O calor atípico para o outono aumentou o consumo e a evaporação, fazendo com que a “reserva de segurança” acumulada no verão começasse a ser gasta antes do previsto.

Ciclo natural ou crise à vista? Geograficamente, é normal que os níveis caiam a partir de abril. O problema é que, em 2026, a irregularidade das chuvas em cabeceiras estratégicas, fez com que o sistema não atingisse os 100% de capacidade total antes do fim do período úmido. Isso significa que São Paulo, entra no período de seca com uma “poupança” menor do que o desejado.

Dados Oficiais (Abril 2026):

  • Volume Atual: O sistema opera hoje, com aproximadamente 68,5% de sua capacidade (somando os reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro).
  • Comparativo: Em março, o índice chegou a tocar os 74%, mas a falta de chuvas significativas na primeira quinzena de abril interrompeu a recuperação.
  • Evaporação: O calor recorde para abril, aumentou a perda de água por evaporação em 12% acima da média histórica.
  • Previsão: Meteorologistas indicam um fenômeno La Niña de intensidade moderada, o que costuma reduzir as chuvas no Sudeste durante o inverno.

“Não estamos em um cenário de colapso iminente como em 2014, mas a cautela é a palavra de ordem. O sistema está resiliente, mas a gestão precisa ser cirúrgica para que não cheguemos a outubro no volume morto”, explicam engenheiros hídricos.

Vão fechar a torneira? Até o momento, não há planos oficiais para rodízios ou racionamentos. A Sabesp tem utilizado o Sistema de Interligação entre bacias para compensar a queda do Cantareira com águas do Sistema São Lourenço e do Rio Paraíba do Sul. No entanto, o custo dessa operação é maior e a pressão sobre o sistema como um todo aumenta.

O recuo do Cantareira em abril é um lembrete anual de que São Paulo vive no limite. O fato de não estarmos “sem água” hoje não é um convite ao desperdício, mas um prazo extra para a conscientização. Em 2026, a segurança hídrica não depende apenas das comportas da represa, mas de cada banho reduzido e de cada vazamento consertado. A natureza deu o aviso: a conta chegou mais cedo. Menos torneira aberta, mais responsabilidade para todos nós!

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