PROGRAMA FANTÁSTICO EXPÕE SUSPEITAS DE ELO ENTRE CORONÉIS DA PM E INVESTIGADOS LIGADOS AO PCC

PROGRAMA FANTÁSTICO EXPÕE SUSPEITAS DE ELO ENTRE CORONÉIS DA PM E INVESTIGADOS LIGADOS AO PCC

Mensagens apontam viagens, pedidos de favores, acesso a oficiais e possíveis pagamentos de propina; ex-comandante-geral da PM é citado, mas não foi alvo da Operação Janus

LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO

São Paulo, segunda-feira, 27 de julho de 2026
Centro Histórico da Cidade de SP

Por Redação do Jornal25News – Independente

Uma reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, revelou mensagens que estão sendo analisadas pelo Ministério Público de São Paulo e que indicariam proximidade entre coronéis da Polícia Militar e investigados por suposta atuação no núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC.

O material, inicialmente obtido pela Polícia Federal durante uma investigação sobre doleiros, reúne conversas sobre viagens, hospedagens em colônias de férias da PM, pedidos de favores, intermediação de contatos e possíveis pagamentos de propina a agentes públicos.

Entre os oficiais mencionados estão o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins e o coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo e ex-comandante da Rota.

A investigação aponta contatos dos oficiais com Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, presos na Operação Janus e apontados pelos promotores como integrantes de um grupo que movimentava recursos e prestava serviços financeiros para integrantes da facção criminosa.

É importante esclarecer que a reportagem não apresentou provas de uma ligação institucional do atual comando da Polícia Militar com o PCC. Segundo informações publicadas pela imprensa, os coronéis citados não foram alvos da Operação Janus e, naquele momento, não figuravam como investigados no procedimento principal, concentrado nos suspeitos de lavagem de dinheiro.


LEITURA INTEGRAL

MENSAGENS FORAM ENCONTRADAS PELA POLÍCIA FEDERAL

A reportagem exibida no domingo, 26 de julho, apresentou conversas obtidas pela Polícia Federal durante uma investigação sobre operadores do mercado clandestino de câmbio.

Ao encontrar referências a policiais militares e civis, a PF encaminhou o conteúdo ao Ministério Público de São Paulo. O material passou então a integrar as apurações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco.

Segundo os investigadores, as mensagens indicariam que integrantes do grupo investigado procuravam manter relacionamentos com agentes públicos para obter proteção, acesso a informações, intermediação de contatos e possíveis facilidades dentro das instituições policiais.

CORONEL DA RESERVA MANTINHA CONTATO COM INVESTIGADOS

Um dos principais oficiais mencionados é o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, aposentado da Polícia Militar desde 2019.

De acordo com documentos citados pela reportagem, Pereira Martins mantinha contato frequente com Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza. Os dois são apontados pelo Ministério Público como integrantes do núcleo financeiro investigado na Operação Janus.

Em setembro de 2020, uma conversa ocorrida em um grupo chamado “Viajar Gente Linda” registrou um convite para que os participantes fossem à colônia de férias dos oficiais da PM em Campos do Jordão.

“Podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais”, escreveu o coronel em uma das mensagens apresentadas pelo Fantástico.

Cléber teria aceitado o convite. Em 2022, novas conversas registraram tratativas entre o coronel e Robson sobre uma reserva na colônia de férias de Boraceia, no litoral paulista.

Fotografias divulgadas pelo portal Metrópoles também mostram Pereira Martins participando de uma confraternização de Ano-Novo com Cléber, meses depois de o empresário ter sido alvo da Operação Fractal, realizada no final de 2022.

PEDIDOS DE CONTATOS DENTRO DA CORPORAÇÃO

Outra mensagem apresentada pelos investigadores é de 2023. Cléber enviou ao coronel a fotografia de um oficial da Polícia Militar e perguntou se ele conhecia o policial.

Pereira Martins respondeu que o oficial era seu amigo e se colocou à disposição para fazer o contato.

Para os promotores, a conversa constitui um indício de que a rede de relacionamentos do coronel poderia ser utilizada pelos investigados para abrir canais dentro da corporação.

Os documentos também apontam que Pereira Martins teria se oferecido para intermediar contatos dos investigados com autoridades, policiais e representantes políticos.

SACOLA COM R$ 270 MIL É CITADA NA INVESTIGAÇÃO

Uma das conversas consideradas relevantes pelos investigadores ocorreu em outubro de 2022.

Depois de um diálogo sobre coronéis da Polícia Militar, um dos participantes enviou a fotografia de uma sacola com dinheiro e mencionou o valor de R$ 270 mil.

A Polícia Federal passou a investigar a hipótese de que os recursos poderiam ter como destinatários Pereira Martins e José Augusto Coutinho. A existência da mensagem, contudo, não comprova que o dinheiro tenha sido efetivamente entregue ou recebido pelos oficiais.

EX-COMANDANTE-GERAL DA PM É CITADO

O coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante da Rota e ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, aparece mencionado em diálogos encontrados nos aparelhos dos investigados.

Segundo o material apresentado, os investigadores apuram uma possível ligação entre Coutinho e o doleiro Amjad Ahmad, conhecido como “Amin”, apontado como um dos operadores financeiros do grupo e considerado foragido.

A investigação também cita um terceiro coronel identificado como “Patrício”, cujo nome apareceria em planilhas sob a classificação de “cliente”.

A defesa de Coutinho declarou que as referências ao coronel são indiretas e incidentais e que os documentos não atribuem a ele nenhuma conduta criminosa. Os advogados afirmaram que a inexistência de envolvimento do oficial será demonstrada no decorrer das apurações.

COUTINHO NÃO COMANDA MAIS A POLÍCIA MILITAR

José Augusto Coutinho deixou o Comando-Geral da PM em abril de 2026 e passou para a reserva.

Desde 29 de abril, a corporação é comandada pela coronel Glauce Anselmo Cavalli, primeira mulher a ocupar o Comando-Geral da Polícia Militar paulista.

A troca de comando é relevante para evitar que as suspeitas envolvendo um ex-comandante sejam automaticamente atribuídas à atual direção ou a toda a instituição.

CONVERSAS TAMBÉM MENCIONAM POLICIAIS CIVIS

As mensagens analisadas incluem referências a possíveis pagamentos destinados a policiais civis.

Em uma delas, Robson solicita dinheiro em espécie e cita delegacias identificadas pelos números 39 e 13, além de uma delegacia seccional.

Outra mensagem atribuída a Cléber registra o pedido de R$ 50 mil para “mandar para a polícia”. Em outro episódio, aparece uma solicitação de R$ 100 mil que, segundo a conversa, seria usada para pagar policiais.

Os investigadores também encontraram um áudio que menciona uma cobrança de R$ 300 mil relacionada a uma apuração policial envolvendo Robson. O Ministério Público classificou o conjunto como indício de um possível esquema de corrupção de agentes públicos.

OPERAÇÃO JANUS INVESTIGA O BRAÇO FINANCEIRO DO PCC

A Operação Janus foi deflagrada pelo Gaeco em 21 de julho e cumpriu ordens judiciais contra pessoas suspeitas de movimentar, ocultar e disponibilizar dinheiro para integrantes e colaboradores do PCC.

A Justiça expediu 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão.

Segundo o Ministério Público, o grupo investigado funcionaria como uma espécie de banco clandestino, transformando grandes quantidades de dinheiro em espécie em transferências bancárias, operações comerciais e movimentações feitas por empresas e contas de terceiros.

A apuração também afirma que alguns investigados recorriam aos chamados “tribunais do crime” para solucionar disputas particulares, inclusive um conflito envolvendo a venda de uma residência de luxo na Riviera de São Lourenço.

CORONÉIS NÃO FORAM ALVOS DA OPERAÇÃO

Apesar da gravidade das mensagens, os coronéis citados não foram presos nem alvos das buscas realizadas na Operação Janus.

Segundo a decisão judicial divulgada pela imprensa, a operação teve como foco os suspeitos de integrar o núcleo financeiro e de lavagem de dinheiro. Os elementos relacionados aos policiais deverão ser apurados em procedimentos específicos e poderão ser compartilhados com a Justiça Militar.

Essa distinção é fundamental: ser citado em uma mensagem, relatório ou conversa de terceiros não significa, por si só, ter praticado um crime.

O QUE DIZEM AS DEFESAS E A SECRETARIA DA SEGURANÇA

A defesa de Cléber Azevedo dos Santos negou que ele tenha atuado como operador financeiro do PCC. Também afirmou que nenhum dos policiais citados teria participação em suas empresas ou influência na solução de problemas empresariais.

O advogado de Robson Martins de Souza não respondeu aos contatos realizados pela reportagem do Fantástico. O coronel Luiz Carlos Pereira Martins também não apresentou manifestação.

A Secretaria da Segurança Pública informou que as corregedorias das polícias Militar e Civil adotaram providências para apurar os fatos e declarou que eventuais responsabilidades serão investigadas com rigor.

O Ministério Público afirmou que as investigações sobre os agentes citados continuam em andamento e que não comentaria detalhes do procedimento.

UMA DENÚNCIA GRAVE QUE EXIGE INVESTIGAÇÃO INDEPENDENTE

A possibilidade de agentes de segurança manterem relações impróprias com pessoas ligadas ao crime organizado atinge diretamente a credibilidade das instituições e precisa ser investigada de forma rigorosa, independente e transparente.

As mensagens reveladas são graves e justificam o aprofundamento das apurações, mas não substituem a produção de provas, o exercício da defesa e o julgamento pelas autoridades competentes.

Por fim, o Jornal25News ressalta o princípio da presunção de inocência previsto no artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.


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