MORAES DIZ QUE MODELO ELEITORAL BRASILEIRO FALIU E DEFENDE VOTO DISTRITAL MISTO
Ministro do STF critica sistema proporcional, cobra reforma política e afirma que big techs exploram características do eleitorado por meio de algoritmos
25NEWS-BRAZIL | POLÍTICA
São Paulo — 25 de agosto de 2026
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, defendeu uma ampla reforma do sistema político brasileiro e afirmou que o atual modelo eleitoral “faliu”.
A declaração foi feita durante palestra no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), na segunda-feira, 24 de agosto.
Moraes criticou especialmente o sistema proporcional, utilizado nas eleições para deputados e vereadores. Segundo ele, o modelo favorece candidatos com pouca vinculação partidária e contribui para o enfraquecimento dos partidos e do Congresso Nacional.
O ministro também defendeu a adoção gradual do voto distrital misto, com parte das vagas preenchida por representantes eleitos diretamente em distritos e outra parte definida pelo desempenho dos partidos.
Durante o mesmo evento, Moraes criticou a atuação das big techs e afirmou que os algoritmos conseguem identificar características, frustrações e comportamentos de grupos do eleitorado, utilizando essas informações para direcionar conteúdos.
Na avaliação do ministro, o fortalecimento das instituições e uma reforma política são fundamentais para preservar a democracia e melhorar a governabilidade no País.
LEITURA INTEGRAL
O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, afirmou que o atual modelo eleitoral brasileiro “faliu” e defendeu uma mudança gradual para o voto distrital misto.
A declaração foi feita na segunda-feira, 24 de agosto de 2026, durante palestra no Tribunal de Contas do Município de São Paulo, em um debate sobre democracia, instituições e sistema político.
Segundo Moraes, o principal problema está no modelo utilizado para eleger deputados federais, deputados estaduais, deputados distritais e vereadores, atualmente escolhidos pelo sistema proporcional.
Para o ministro, esse formato gera distorções e enfraquece o vínculo entre eleitos, partidos e eleitores.
“Esse modelo eleitoral faliu, porque produz candidatos e eleitos que não têm vinculação nenhuma a partidos”, afirmou.
Moraes também criticou parlamentares que, segundo ele, priorizam a exposição nas redes sociais em detrimento da discussão de projetos e da atividade legislativa.
MORAES DEFENDE VOTO DISTRITAL MISTO
Durante a palestra, Moraes afirmou que defende há anos a substituição gradual do sistema proporcional puro pelo modelo distrital misto.
Segundo o ministro, a mudança poderia começar com cerca de 30% das vagas preenchidas pelo sistema distrital, aumentando progressivamente nas eleições seguintes.
Na avaliação de Moraes, a mudança ajudaria a fortalecer os partidos políticos e melhorar a governabilidade.
“A Constituição brasileira e a separação de poderes foram fincadas numa democracia de partidos. Se nós não tivermos partidos fortes, vamos ter sempre esse problema de governabilidade”, declarou.
COMO FUNCIONA O SISTEMA ATUAL
Atualmente, o Brasil utiliza dois modelos principais nas eleições.
O sistema majoritário é aplicado na escolha de:
- presidente da República;
- governadores;
- prefeitos;
- senadores.
Já o sistema proporcional é utilizado para eleger:
- deputados federais;
- deputados estaduais;
- deputados distritais;
- vereadores.
No sistema proporcional, a distribuição das cadeiras não depende apenas da votação individual de cada candidato. O desempenho dos partidos e federações também é considerado para definir quantas vagas cada grupo político terá direito.
O QUE É O VOTO DISTRITAL MISTO
No sistema distrital, o território eleitoral é dividido em regiões, chamadas distritos.
Cada distrito escolhe diretamente seu representante.
No voto distrital misto, parte dos parlamentares é eleita diretamente pelos distritos, enquanto outra parcela das cadeiras é distribuída de acordo com a votação obtida pelos partidos.
O objetivo é combinar uma representação mais próxima dos eleitores com a manutenção da participação das legendas na composição do Parlamento.
Para Moraes, esse modelo poderia fortalecer a relação entre representantes, eleitores e partidos.
MINISTRO DEFENDE REFORMA POLÍTICA
Moraes afirmou que o Brasil enfrentou sucessivas crises institucionais desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.
Ele citou os processos de impeachment de dois presidentes da República e os ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Apesar das crises, o ministro afirmou que a democracia brasileira permanece funcionando.
“O Brasil continua hoje, 24 de agosto, uma democracia forte, com eleições marcadas”, declarou.
Para Moraes, porém, a continuidade desse cenário depende do fortalecimento das instituições e da realização de reformas estruturais.
CRÍTICAS ÀS BIG TECHS
Durante a mesma palestra, Alexandre de Moraes também criticou a atuação das grandes empresas de tecnologia.
Segundo o ministro, houve ingenuidade ao considerar que as big techs seriam neutras no ambiente político e eleitoral.
“Fomos ingênuos em um determinado momento por acreditar que as big techs eram neutras”, afirmou.
Na avaliação de Moraes, essas empresas possuem interesses econômicos e políticos e utilizam algoritmos capazes de identificar comportamentos, preferências e frustrações de determinados grupos sociais.
Essas informações, segundo ele, podem ser utilizadas para direcionar conteúdos e ampliar o alcance de determinados discursos.
ALGORITMOS E ELEIÇÕES
Moraes afirmou que a utilização de algoritmos ganha importância especial durante os períodos eleitorais.
Segundo o ministro, as plataformas digitais conseguem identificar características específicas de determinados grupos e direcionar mensagens capazes de gerar maior engajamento.
Na avaliação dele, essa lógica pode transformar o ambiente político em uma espécie de mercado, no qual o eleitor passa a ser tratado como consumidor e o candidato como produto.
Para Moraes, a influência das plataformas digitais precisa fazer parte do debate sobre democracia e funcionamento das instituições.
DEBATE SOBRE REFORMA ELEITORAL DEVE CONTINUAR
A manifestação de Alexandre de Moraes recoloca no centro do debate político uma discussão antiga no Brasil: a necessidade de uma reforma eleitoral e partidária.
Defensores do voto distrital misto argumentam que o sistema pode aproximar eleitores de seus representantes e fortalecer os partidos.
Críticos alertam que uma mudança dessa dimensão exige amplo debate no Congresso e na sociedade para evitar redução da pluralidade política e distorções na representação popular.
Qualquer alteração no sistema eleitoral brasileiro dependerá da aprovação do Congresso Nacional, por meio das mudanças legislativas e constitucionais necessárias.
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Redação — 25News-Brazil
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