Delegados de SP são investigados por viagem a Las Vegas paga por fintech suspeita

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação contra três delegados e um agente da corporação que participaram de uma viagem a Las Vegas, nos Estados Unidos, com despesas supostamente pagas pela fintech 2GO Bank. A empresa está na mira do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suspeita de movimentar bilhões de reais em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os delegados Paulo Alberto Mendes Pereira, Paulo Eduardo Pereira Barbosa, Luiz Alberto Guerra e o investigador Bruno Souza Rechinho viajaram entre 1º e 14 de agosto de 2024 para participar das conferências Blackhat e Defcon 32, eventos de segurança digital. Embora a autorização para a viagem constasse no Diário Oficial do Estado sem custos para o governo paulista, não havia detalhes sobre a origem dos recursos utilizados.

A 2GO Bank, que teria custeado as despesas, é investigada por suspeita de operar um esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 6 bilhões em 16 países, incluindo o Brasil. O dono da fintech, Cyllas Salerno Elia Júnior, que também é policial civil, foi preso duas vezes em operações da Polícia Federal: a primeira em novembro de 2024, na Operação Tai-Pan, e novamente em fevereiro de 2025, na Operação Hydra. Ambas as ações desmantelaram redes de crimes financeiros e conexões com o PCC.

Diante das revelações, o secretário de Segurança Pública de São Paulo confirmou que os policiais estão sendo investigados desde a primeira prisão de Elia Júnior. O caso levanta preocupações sobre possíveis conflitos de interesse e o impacto da relação entre agentes públicos e empresas sob investigação.

A Corregedoria agora busca esclarecer o vínculo entre os policiais e a fintech, além de avaliar possíveis desdobramentos legais. Até o momento, os envolvidos não se manifestaram publicamente.

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