Educação financeira deveria ser obrigatória nas escolas?
Em um país onde o endividamento cresce, especialistas defendem que aprender a lidar com dinheiro precisa começar cedo
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Por Arianne Marcovicchio | Jornal25News – Independente

Em um cenário de aumento do custo de vida, crédito facilitado e crescimento do endividamento das famílias brasileiras, uma pergunta tem ganhado força: educação financeira deveria ser obrigatória nas escolas?
O debate não é novo, mas se tornou mais urgente nos últimos anos. Com jovens cada vez mais expostos a cartões de crédito, apostas online, compras por impulso e influenciadores que vendem padrões de consumo inalcançáveis, saber administrar dinheiro deixou de ser apenas uma habilidade desejável, tornou-se necessidade básica.
📊 O cenário do endividamento no Brasil
De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias endividadas no Brasil tem se mantido elevado nos últimos anos, com grande parte das dívidas concentradas no cartão de crédito.
Já a Serasa aponta milhões de brasileiros com o nome negativado, muitos deles jovens adultos que tiveram pouco ou nenhum contato com noções básicas de planejamento financeiro durante a vida escolar.
Esses números acendem um alerta: estamos formando alunos para o mercado de trabalho, mas não necessariamente para lidar com o próprio dinheiro.
📚 A educação financeira já está no currículo?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê a educação financeira como tema transversal, principalmente dentro da disciplina de Matemática. No entanto, especialistas apontam que, na prática, o conteúdo muitas vezes é abordado de forma superficial.
Aprender juros compostos na teoria é diferente de entender como eles impactam uma fatura de cartão de crédito. Saber calcular porcentagem não significa compreender os riscos de um financiamento mal planejado.
🧠 Muito além de números
Educação financeira não se resume a ensinar contas. Envolve discutir consumo consciente, planejamento de metas, reserva de emergência, investimentos e até aspectos emocionais ligados ao dinheiro.
Psicólogos e educadores defendem que a relação com o dinheiro começa a se formar ainda na infância. Sem orientação, muitos jovens reproduzem comportamentos financeiros desorganizados que observam em casa.
💬 Argumentos a favor da obrigatoriedade
- Prevenção do superendividamento
- Formação de adultos mais conscientes e preparados
- Redução de desigualdades por meio do acesso à informação
- Desenvolvimento de autonomia e responsabilidade
Para defensores da medida, tornar a disciplina obrigatória daria mais estrutura e profundidade ao tema, evitando que fique restrito a projetos pontuais.
⚖️ Há críticas?
Alguns educadores argumentam que o currículo escolar já é sobrecarregado. Outros defendem que o problema não é apenas falta de conteúdo, mas também desigualdade social e renda insuficiente, fatores que nenhuma disciplina isolada resolve.
Ainda assim, há consenso de que conhecimento financeiro amplia as possibilidades de escolha.
Em um mundo onde decisões financeiras começam cada vez mais cedo, preparar estudantes para lidar com dinheiro é investir em cidadania. Tornar a educação financeira obrigatória pode não resolver todos os problemas econômicos do país, mas certamente ajudaria a formar uma geração mais consciente, crítica e preparada para o futuro.
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