ATLAS/ESTADÃO: 60,5% QUEREM IMPEACHMENT DE TOFFOLI; 49,8%, DE MORAES, POR CASO MASTER
Levantamento aponta ainda que 85,1% dos entrevistados acreditam haver envolvimento direto de ministros do STF no caso Banco Master; pesquisa mede percepção da população e não constitui prova de irregularidade
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 22 de setembro de 2026.
Leitura Rápida — 1 Minuto
Uma nova pesquisa Atlas/Estadão registra forte repercussão do caso Banco Master sobre a imagem de integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o levantamento, 60,5% dos entrevistados afirmam querer o impeachment do ministro Dias Toffoli por questões relacionadas ao caso Master.
Em relação ao ministro Alexandre de Moraes, o percentual é de 49,8%.
A pesquisa também aponta que 85,1% acreditam haver envolvimento direto de ministros do STF no caso Banco Master.
Os números revelam a percepção dos entrevistados diante das informações que vêm sendo divulgadas sobre o caso. Eles, entretanto, não representam comprovação de crime ou irregularidade e não substituem investigações ou decisões judiciais.
O caso Master permanece em discussão dentro do próprio Supremo. Documentos e contratos relacionados às investigações tiveram o sigilo retirado neste mês, enquanto o STF também passou a analisar questões referentes à eventual abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.
Leitura Integral
PESQUISA COLOCA TOFFOLI NO CENTRO DA INSATISFAÇÃO
O ministro Dias Toffoli aparece com o maior percentual no levantamento Atlas/Estadão.
De acordo com a pesquisa, 60,5% dos entrevistados querem seu impeachment por causa das suspeitas relacionadas ao Banco Master.
O caso envolvendo Toffoli ganhou dimensão depois de questionamentos sobre sua atuação na condução das investigações e de informações envolvendo relações empresariais de pessoas próximas ao ministro.
Toffoli deixou a condução dos processos relacionados ao Master em meio à controvérsia sobre o caso.
MORAES TEM 49,8%
A pesquisa também perguntou sobre o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo o levantamento, 49,8% dos entrevistados defendem seu impeachment em razão dos acontecimentos relacionados ao caso Master.
A situação de Moraes ganhou novo capítulo depois da divulgação de documentos relacionados ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.
Documentos tornados públicos pelo STF mostram que um contrato assinado em 2024 previa serviços jurídicos e de consultoria ao banco. O escritório afirmou que os serviços foram regularmente prestados e negou irregularidades.
O Supremo também passou a discutir a possibilidade de investigação sobre eventual envolvimento de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A análise foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
85,1% ACREDITAM EM ENVOLVIMENTO DE MINISTROS
Outro resultado de destaque da pesquisa Atlas/Estadão mostra que 85,1% dos entrevistados acreditam que ministros do Supremo tenham envolvimento direto no caso Banco Master.
O número é especialmente significativo como indicador da percepção pública registrada pela pesquisa.
Mas existe uma diferença fundamental entre percepção e comprovação.
A resposta dada a uma pesquisa de opinião expressa aquilo que o entrevistado acredita diante das informações disponíveis. Não significa que 85,1% dos brasileiros tenham provas contra ministros do STF nem que as suspeitas estejam judicialmente comprovadas.
As responsabilidades individuais dependem das investigações, das provas produzidas e dos procedimentos legais correspondentes.
CASO MASTER CONTINUA NO CENTRO DO STF
O caso Banco Master provocou uma série de desdobramentos no Supremo nas últimas semanas.
Parte dos processos e documentos anteriormente mantidos sob sigilo foi tornada pública. Entre eles estão contratos envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes e empresas relacionadas ao grupo de Daniel Vorcaro.
As investigações e os debates internos no STF também envolvem questionamentos sobre a atuação de diferentes ministros, com versões, contestações e pedidos ainda pendentes de definição.
Por isso, qualquer acusação deve ser apresentada como suspeita ou objeto de investigação, até que haja conclusão das autoridades responsáveis.
IMPEACHMENT NÃO É DECIDIDO POR PESQUISA
Ainda que uma parcela expressiva dos entrevistados defenda o impeachment, o resultado de uma pesquisa não produz automaticamente o afastamento de um ministro do Supremo.
Pela Constituição Federal, compete privativamente ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.
Portanto, os percentuais da Atlas/Estadão mostram o posicionamento dos entrevistados, enquanto eventual responsabilização institucional depende do processo previsto na Constituição e na legislação brasileira.
O novo levantamento acrescenta mais um elemento à crise de confiança e ao debate público provocado pelo caso Banco Master — um processo que continua produzindo repercussões políticas, jurídicas e institucionais em Brasília.
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