O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está com uma grande insatisfação com a atuação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo ministros e aliados do governo, Motta estaria sendo “fraco” na liderança da Casa, sem conseguir cumprir acordos e controlar os deputados.
Acordo Quebrado e “Traição” no Pacote Fiscal!

A decepção do governo com Hugo Motta ficou ainda maior depois de um rolo envolvendo o pacote fiscal (conjunto de medidas para organizar as contas públicas) do governo.
- O Acordo: Em uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no dia 8 de junho, Motta teria concordado com algumas medidas, como a tributação (cobrança de impostos) de 5% sobre investimentos como LCIs e LCAs, chegando a chamá-las de “históricas”.
- A Virada: Mas, dias depois, sob forte pressão de outros deputados e de empresários, Motta mudou de postura! Ele criticou publicamente as propostas do governo, alertando que haveria uma “reação muito ruim” no Congresso e no setor produtivo. Essa mudança foi interpretada como uma “traição” por aliados do governo.
Tensão com o STF e Privilégios no Congresso!
A guinada de Motta também aumentou a tensão com o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele estaria cedendo a pressões de deputados para votar projetos que são contra a Corte.
A ministra Gleisi Hoffmann (PT), para tentar acalmar os ânimos, defendeu Motta, negando que ele seja “desleal” e elogiando sua “responsabilidade e firmeza” com o governo.
No entanto, o próprio governo reconhece que a relação com Motta está prejudicada pela demora na liberação das emendas parlamentares (dinheiro que os deputados podem destinar para obras e projetos em seus estados) e pela resistência do Congresso em aumentar impostos sem que haja cortes de gastos do governo.
O Contraste com o Antecessor e as Polêmicas de Motta!
Hugo Motta foi eleito presidente da Câmara em 1º de junho de 2025 com um apoio gigantesco. Ele justificou sua mudança de postura como uma resposta à pressão de mais de 300 deputados e ao “esgotamento” político para novos impostos.
Mas Motta também se envolveu em uma polêmica recente: ele protocolou um projeto que aumenta os privilégios parlamentares, permitindo que deputados acumulem aposentadoria com o salário do cargo, o que gerou críticas por contradizer seu discurso de austeridade fiscal.
Essa crise mostra a dificuldade do presidente Lula em manter uma base sólida de apoio no Congresso, onde o governo tem minoria. A percepção é que Motta, ao contrário de seu antecessor, Arthur Lira (que era visto como mais firme), não consegue equilibrar os interesses políticos e econômicos, cedendo facilmente às pressões do Centrão e do setor empresarial.
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